sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

OBJETIVOS DE ENSINO

Regina Rodriguez Bôtto Targino
Prfª. Drª. Ass. I/DME/CE/UFPB

1. Considerações Preliminares
Muitas dúvidas e dificuldades foram constatadas pelos alunos na formulação de objetivos de ensino, durante o planejamento didático da elaboração do plano de curso e do plano de aula. O que são objetivos de ensino? Para que servem? Como elaborá-los? O presente texto pretende esclarecer e minimizá-las.
Ao falarmos em objetivos de ensino lembramos sempre daqueles tempos do “ensino por objetivos” cuja época remonta aos anos de 1964 em que ideologicamente havia outras intenções na sua formulação, que seriam aquelas de controle e de policiamento. Postura que pretendia dicotomizar os que planejavam dos que executavam. Era a época do tecnicismo. Não importava o professor ou o aluno, mas o processo de ensino que havia de ser vencido por etapas determinadas e bem estabelecidas.
Fazendo um retrospecto sobre os objetivos, considerados como elementos estruturantes do planejamento de ensino, constata-se que em todas as épocas eles estiveram sempre presentes ao processo de ensinar e de aprender. Percebe-se que dependendo da corrente teórica ideológica preponderante no momento de tempo /espaço eles tomam uma conotação diferenciada. Assumem, portanto uma concepção filosófica global da educação, a qual se torna necessária para que nos oriente e se estabeleçam critérios bem claros, com relação aos objetivos a serem adotados, pois eles delineiam o perfil do homem que se quer formar. São elas: tradicional, escolanovista, tecnicista e mais recente a crítica social dos conteúdos. Quando dominou a corrente tecnicista os objetivos assumiram muita ênfase no ensino, visto que o modelo social econômico brasileiro da época impunha posturas correspondentes ao behaviorismo adotado pelo modelo taylorista, cujas origens norte americanas (U.S. A) impregnavam o cientificismo administrativo na educação. A educação foi também tomada por esse espírito de formar mão de obra. A linguagem fabril transferiu-se para o sistema de ensino. Procurava-se reproduzir comportamentos na escola que nas fabricas e indústrias eram adotados como modelos de eficiência e eficácia. Os objetivos tornaram-se mais importantes que o aluno e o professor.
Os tempos passaram e agora retomam e os objetivos de ensino, não com a visão policialesca e compartimentalizada daquela época, mas, pelo contrário, com uma visão única integrada e interativa, unida aos conteúdos a serem construídos para que eles se tornem o ponto de convergência entre o político e o técnico, entre a teoria e a prática e entre o ensino e a pesquisa.
Constata-se tanto no passado como hoje, que há uma necessidade de que na nossa vida cotidiana tenha um sentido claro do que se quer e se deseja alcançar para o futuro. O tempo urge. Nessa direção, estabelecer objetivos é uma condição para alcançarmos aquilo que se almeja. Eles servem como uma bússola orientadora dos nossos passos e caminhos para chegar onde se pretende. Isto é obvio, e cada vez mais a vivência vai dizendo como é importante tê-los traçados. Eles estão presentes em nosso dia-a-dia. E em um processo educacional não podíamos fugir a regra.
O professor assume muita importância na formulação dos objetivos como diz MARTINS (1999), “o verdadeiro educador possui objetivos bem delineados que direcionam sua ação educativa a partir da dimensão político-social”. Já, MOLLULO (2008), expressa: “o professor é de extrema importância, pois por trás de cada ação, se situa o arranjo ideológico do professor, e com isso, suas intervenções passam a ser carregadas de uma pessoalidade, que deve ser auto-compreendida e direcionada para os objetivos que se deseja atingir no desenvolvimento de meninos e meninas dentro de sala de aula”. Fica clara a importância do professor na formulação dos objetivos, pois é responsável pela condução, desenvolvimento e execução do processo de ensino aprendizagem.

OS OBJETIVOS EDUCACIONAIS

Como na educação podemos formular objetivos educacionais? E objetivos de ensino? Como se verifica, faz-se distinção entre objetivos educacionais e os objetivos de ensino.
Os objetivos educacionais são objetivos muitos amplos, que englobam as pretensões formuladas por uma Nação ou Estado que traçam o perfil do homem que deseja formar. CASTANHO (1999), assim se pronuncia: “os objetivos educacionais são os resultados buscados pela ação educativa: comportamentos individuais e sociais, perfis institucionais, tendências estruturais: Em outras palavras, são mudanças esperadas como conseqüência da ação educativa nas pessoas e grupos sociais, nas instituições de âmbito mais largo responsáveis por políticas educacionais.” Dizem respeito a um país, a um sistema ou a uma instituição etc. São objetivos que expressam princípios filosóficos e a ideologia social política adotada por aquele país ou por governantes, seus dirigentes. Estão explícitos nos documentos oficiais da Nação ou das instituições temos como exemplo os que se encontram na Constituição do Brasil, que é a carta magna da nação, que enumera os princípios constitucionais do ensino tendo por finalidade atingir os objetivos constitucionais da educação: erradicação do analfabetismo, universalização do atendimento escolar, melhoria da qualidade de ensino, formação para o trabalho, promoção humanística, científica e tecnológica do país.
Portanto, na Constituição Federal estão implícitos a ideologia e a política da nação brasileira que através das leis vão dando a regulamentação e a disciplina legal de como conseguir a formação do cidadão conforme a carta magna determina. Na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, em seu Título II, que trata Dos Princípios e Fins da Educação Nacional, evidencia-se claramente a política ideológica estabelecida, em seu Art. 3º, quando diz: Verbis, “O ensino será ninistrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de idéias e concepções pedagógicas;
IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V- coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII – valorização do profissional da educação escolar
VIII – gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino;
IX – garantia de padrão de qualidade;
X – valorização de experiência extra- escolar;
XI – vinculação “entre educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.”
Os Estados e os Municípios, também possuem seus objetivos os quais revelam as intenções com relação à educação que desejam construir para o tipo de homem que deseja formar e que se encontra sob sua responsabilidade. Os objetivos educacionais são os objetivos maiores da Nação. Eles representam as intenções sócio-político-ideológica do sistema de educação, portanto, são objetivos ditos oficiais.
Verifica-se que os objetivos de ensino, em âmbito menor que os educacionais, vão colocando na prática aquilo que os objetivos oficiais estabelecem como política. Estão intimamente imbricados aos objetivos educacionais. Eles representam objetivos operacionais. Digo operacionais, porque é através deles que as ações políticas ideológicas tomam forma e concretizam-se. Isto é bem visualizado nos projetos políticos pedagógicos que são recomendados pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394, de 24/12/1996.

Os objetivos de Ensino – Como elaborá-los?

Como já se disse, os objetivos de ensino tratam de aspectos vinculados ao ato de ensinar e ao ato de aprender. Portanto, ao elaborar este texto imagina-se o que seria necessário para um professor encontrar-se apto para elaborar seus objetivos de ensino?
Os objetivos de ensino traduzem em termos comportamentais o que antecipadamente a escola ou o professor desejam que seja construído pelos alunos em termos de conhecimento, habilidades e atitudes. Eles também traduzem concretamente a concepção ideológica pedagógica adotada, ou pelo sistema ou pela escola, implícita nessa concepção às dimensões sócio-política, técnica e humana a serem adotadas pelo docente em todo o seu construir didático. A concepção ideológica adotada implicará em comportamentos e procedimentos metodológicos específicos que serão construídos com embasamento teórico daquela corrente epistemológica empregada. Exemplo: o sistema de ensino que adote o construtivismo preconizado por Vigotski será diferente daquele que adota o construtivismo de Jean Piaget. Ambas correntes teóricas são construtivistas, mas elas são diferentes no desenvolvimento do executar o processo de ensino-aprendizagem. O que faz a diferença são os pressupostos teóricos que embasam os procedimentos metodológicos que cada corrente teórica concebe na construção do conhecimento. De acordo com sua linha epistemológica ela manifesta-se nos comportamentos do professor e do aluno na construção do conhecimento, objeto de estudo. Fica claro que os objetivos expressam competências de domínios que devem resultar do aprendizado dos alunos. Os objetivos projetam os resultados esperados desse aprendizado.
Toda corrente teórica que visa o processo de ensino aprendizagem seja ela qual for, quando adotada é porque se crê que ela torne mais eficiente o desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem. Isto tanto para quem ensina como para quem aprende. Não se pode mistificar dizendo-se que o professor não trabalha em cima de resultados. Esta afirmação é uma falácia. Trabalha sim, em cima de resultados. Resultados do aprendizado que será construído com ele e o aluno. Porém, quero fazer uma ressalva de que quando falo assim é porque considero o aluno sujeito e partícipe do seu processo de ensino. Não o ensino robotizado, como ocorre em várias escolas, em que os resultados estão engessados a um resultado de vestibular, mas o ensino comprometido socialmente, que leve o aluno a pensar e dele possa tirar lições. Que não seja só o ler, contar e escrever, mas possa também interpretar a realidade que vive para exercer sua plena cidadania. É assim que entendo e vejo o ato de ensinar e aprender.
Todo sistema de ensino, escola e professor esperam que o que seja ensinado seja aprendido. O que significa dizer que só existe ensino se alguém aprende. Como posso ensinar se meus alunos não conseguem aprender? O professor deseja ensinar e que seus alunos aprendam e para que isto aconteça deverá ter bem claro os seus objetivos de ensino.
Para se formular objetivos de ensino é necessário, além daqueles fundamentos filosóficos e ideológicos, antes de tudo, levar em consideração os componentes intrínsecos ligados ao perfil do aluno a quem se destinam os objetivos e o processo de ensino-aprendizagem. São eles: os fatores biológicos e psicológicos. O processo de aprendizagem é um processo mental. Ocorre em nível psicológico e em uma idade correspondente. Portanto, esses fatores são determinantes e condicionantes para se estabelecer os objetivos de ensino. Não os levando em consideração cometeremos muitos equívocos. Pode-se tratar uma criança como adulto e um adulto como criança.
A aprendizagem ocorre em níveis diferentes e não de forma linear. Cada aluno tem seu ritmo próprio e suas peculiaridades individuais. Não é atoa que os estudiosos Jean Piaget (1970), Vigotski (1996), Rogers (1981), Luria (1987), entre outros, para pesquisarem o processo de aprendizagem levaram em conta a construção do pensamento. O pensamento manifestado através da palavra escrita ou falada é, portanto, a forma mais inteligente do homem expressar-se. Nós professores somos sabedores disto, daí porque temos em nossa formação o embasamento epistemológico de fundamentos biológicos da educação e psicologia da aprendizagem. Conhecimentos imprescindíveis a um professor.
Os processos mentais evoluem juntamente com os processos biológicos que sofre o ser humano em todo seu desenvolvimento desde criança até a fase adulta. Os processos mentais obedecem a uma escala de gradual idade, que vai correspondendo a um estágio de aprendizagem como: memória, descrição, explicação, análise, síntese e julgamento. Estes níveis ou estágios no processo de aprendizagem indicam níveis de dificuldades que os alunos enfrentarão em seu aprendizado do objeto que se propõe a estudar. Os objetivos estão intimamente conectados a eles. Os primeiros níveis empregam os métodos mnemônicos onde a memória é privilegiada, embora que seja o primeiro nível do processo mental e que sem ele nenhum outro se processa. Exige apenas que o aluno decore o que foi ensinado. Os outros níveis envolvem os processos lógicos que são: a análise, síntese e julgamento, e que requerem maior nível mental e estrutura de sinapses e inteligência, por isso mesmo, maior nível de abstração e dificuldades. Esses últimos são empregados com toda ênfase no terceiro grau de ensino, pois eles são maciçamente desenvolvidos através dos processos lógicos, próprios desse nível de aprendizado. No ensino básico, médio e fundamental eles são trabalhados, porém em menor intensidade, visto que os alunos nesses níveis ainda se encontram no descortinar de conhecimentos fundamentais estruturais básicos.
Pelas razões expostas faz-se necessário estabelecer critérios que se deve levar em consideração, quando da sua elaboração. São eles: - qual a realidade contextual-social onde aqueles objetivos de ensino irão ser aplicados? - qual a idade dos alunos para os quais os objetivos estão sendo formulados? – qual o nível de escolaridade a que se destinam? Traça-se o perfil dos discentes para poder elaborar os objetivos em termos comportamentais que deverão ser alcançados por aqueles conteúdos que foram construídos e trabalhados pelo professor em sala de aula.
Vários estudiosos do assunto tratam os objetivos por diferentes óticas epistemes. São eles: LIBANÊO (2005), NERECI (1999), MARTINS (1998), PARREIRAS (2008), CASTANHO (1989), ALVAREZ (1965), MORANDI (2002), BORDENAVE (2004), PILETTI (2005), TURRA (2000), BLOOM (1963), MAGER (1972), TEIXEIRA (2008) entre outros.
Eles restringem-se ao ensino a ser ministrado. Estão imbricados e conectados ao processo de avaliação que será construído para poder acompanhar o desempenho do aprendizado dos alunos, São eles que determinam, em última instância, se o que foi ensinado foi aprendido ou não.
Nesse sentido diz LIBÂNEO (2004): “os objetivos de ensino são importantes no desenvolvimento do trabalho docente, pois o fato de que a prática educativa é socialmente determinada, respondendo às exigências e expectativas dos grupos e classes sociais existentes na sociedade, cujos propósitos são antagônicos em relação ao tipo de homem a educar e às tarefas que este deve desempenhar nas diversas esferas da vida prática. Procuramos destacar especificamente que a prática educativa atua no desenvolvimento individual e social dos indivíduos, proporcionando-lhes os meios de apropriação dos conhecimentos e experiências acumuladas pelas gerações anteriores, como requisito para a elaboração de conhecimentos vinculados a interesses da população majoritária da sociedade.” Para Libâneo o ato de ensinar e de aprender confunde-se com o projeto de vida do sujeito núcleo do processo de ensino aprendizagem e que procura responder a demanda sócio-política, técnica e humana da sociedade em que se encontra inserido, o que concordo com seu pensamento.
Os objetivos de ensino estão contidos em planos de curso, planos de unidades programáticas e planos de aula. Obedecem às categorias de diversas naturezas e classificação. Objetivos considerados quanto ao nível de abrangência podem ser: gerais e específicos; quanto ao tempo: mediato e imediato; quanto à natureza dos conteúdos: cognitivos, afetivos e psicomotores BLOOM (1963). Em outras palavras, traduzem conhecimentos, habilidades e atitudes, que devem demonstrar os educandos como resposta do aprendizado construído.

1- OS OBETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS

Os objetivos gerais são objetivos chamados de mediatos, por que só se consegue alcançá-los em longo prazo. O ensino tem caráter mais amplo e essa amplitude se dá pela natureza do conteúdo a dominar e o tempo necessário para o completo aprendizado. Sempre são formulados visando o que se espera que seja aprendido ao término de um conteúdo ou de uma unidade didática programática. Por exemplo: os objetivos referidos em um plano de curso de uma disciplina poderão ser formulados da seguinte maneira: Compreender o ensino da história como conhecimento importante para o exercício da cidadania; ou poderia se dizer: conhecer a historia como conhecimento passado que facilita a compreensão do futuro; ou poderia expressar: estudar a história enfocando as diversas contradições ideológicas existentes em tal período e em tal lugar, etc. É preciso atentar que estes objetivos não serão conseguidos ao término de uma aula, mas sim de um curso que leva ano ou meses. Eles indicam ações bem amplas e não mencionam quais as ações ou atividades em termos comportamentais, onde os alunos devem demonstrar ao professor que aprenderam os conteúdos que lhes foram ensinados. Dizer de conhecer, compreender, estudar etc. não quer dizer que se vai conseguir o que se quer de forma concreta, se o aluno conheceu ou aprendeu etc. Quem vai dizer isto são os objetivos específicos referentes aos conteúdos trabalhados. Eles, também são chamados de objetivos em curto prazo por que permitem ao término de cada aula ou assunto identificar se foi alcançado o que foi estipulado para ser aprendido. É acompanhado passo a passo aquele objetivo formulado e assim conseguir o que o objetivo geral do curso prever em sua visão holística e globalizante. Os objetivos do curso por sua vez são os resultantes alcançados em todas as aulas ministradas pelo professor durante aquele ano ou meses.
Os objetivos específicos são próprios de uma aula. Chamados também de imediatos porque são muito pontuais em relação aos conteúdos trabalhados aula por aula. Estes devem envolver ações comportamentais, que demonstrem claramente que o aluno aprendeu o conhecimento que se pretendeu construir. Por exemplos: o professor de matemática dá uma aula sobre fração e coloca para sua aula o seguinte objetivo: resolver corretamente os problemas de fração; o aluno tem que dar uma resposta a este objetivo. Saber resolver o problema de fração ou não, neste contexto, não existe brecha, trata-se de um critério ou sabe resolver ou não sabe. Outro dá uma aula sobre o conceito de répteis, ao término da aula ele objetiva: saber conceituar répteis. É nítido o tipo de resposta desejada que o aluno deva demonstrar que aprendeu ou não construir o conceito de répteis.
Como se constata, os objetivos encontram-se articulados e conectados com os processos de avaliação que serão empregados pelo professor com referência aos conteúdos ministrados. Permitem o acompanhamento do desempenho do aluno e orienta ao professor com relação a sua própria avaliação. Os objetivos indicam a ação e nesse sentido nós dizemos que eles são precisos ou menos precisos em termos comportamentais. Quem dá essa precisão são os verbos que são utilizados. Vejamos: o que MARTINS (1998). PILETTI (2005), NERECI (1999), entre outros, nos apontam como verbos que indicam as ações que os objetivos devem expressar:
VERBOS PRECISOS DE AÇÕES MENOS PRECISOS E DE AÇÕES
POUCO OBSERVÁVEIS DIRETAMENTE OBSERVÁVEIS
Compreender, pensar Identificar, cobrir
Saber, concluir Diferenciar, marcar
Entender, gostar Escrever, pressionar
Desenvolver, descobrir Resolver, apontar
Aprender, determinar Enumerar, colocar
Melhorar, sentir Comparar, andar
Julgar, entender Contrastar, fazer
Conhecer, perceber Justificar, dizer
Adquirir Escolher, ler, sombrear
Familiarizar-se Verbalizar, preencher
Apreciar, concentrar Distinguir, remover
Gerar, refletir Construir, desenhar
Conscientizar-se Selecionar, enumerar
Localizar, rotular, por
Comparar

OS OBJETIVOS DE ENSINO COM RELAÇÃO À NATUREZA DOS CONTEÚDOS

Os objetivos também são classificados com relação aos conteúdos e categorias. As classificações mais conhecidas são a de Robert Mager (1977), Gagné (1971), Ralfy Tyler, Hilda Taba (1974) e Benjamin Bloom (1983).
Tomaremos como referência as de Bloom. Ele agrupou os objetivos em três categorias: os objetivos cognitivos, os objetivos psicomotores e os objetivos afetivos.

OS OBJETIVOS COGNITIVOS

Os objetivos da categoria cognitiva são aqueles que se referem às habilidades e capacidades intelectuais do educando. Referem-se à área intelectual abrangendo os domínios do conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação. Cada domínio possui vários outros subdomínios. Veja-se o esquema traçado por Bloom para os objetivos com relação ao processo de aprendizagem.
1) – Conhecimentos: a) – Conhecimentos específicos - refere-se a conceitos, terminologias, conhecimento de símbolos, verbais ou não, de uma determinada disciplina ou área de conhecimento como, por exemplo, energia, inércia ou vácuo, para física; gene, tecido, órgão ou aparelho para biologia etc. Conhecimentos de fatos específicos referem-se a nomes, datas, lugares, acontecimentos, características de uma escola filosófica, bibliografia a respeito de um tema etc..
b) – Conhecimentos das formas e meios de tratar com os fatos específicos – referem-se a convenções, exemplo: regras gramaticais, convenções cartográficas ou de trânsito etc. Conhecimentos de tendências e seqüencias, exemplo: como evolução da espécie, as influências de uma civilização em outra etc. Conhecimentos de classificações e categorias exemplo: classificações dos seres vivos, classificações das ciências, a divisão das ciências sociais etc. Conhecimentos dos critérios, exemplo: elementos utilizados para julgamento da validade de um fato, como os critérios que dão garantia ao método experimental, a qualidade de um produto ou a aceitação de um fato histórico etc. Conhecimentos de metodologia referem-se ao conhecimento dos métodos e técnicas específicos empregados em determinado ramo das atividades humanas, para desenvolver os seus trabalhos e pesquisas.
C – Conhecimentos universais e das abstrações especificas de um determinado setor do saber– referem-se a princípios e generalizações, exemplo: conhecimento de abstrações, resultantes da observação de muitos fatos particulares, como o relacionamento da economia com formas de vida social, o adiantamento da ciência com o desenvolvimento da tecnologia, a assimilação de seiva bruta pelo vegetal por obra da ação clorofiliana etc. Conhecimentos de teoria e estruturas: referem-se ao conhecimento de um fato ou fenômeno complexo, como a organização de um Estado democrático, a organização de um formigueiro, a interdependência dos órgãos do corpo humano ou conhecimento de teorias explicativas de vastos conjuntos de fenômenos como a teoria da relatividade, a teoria psicanalítica etc.
2) – Compreensão - refere-se ao aspecto mais simples do entendimento, que consiste em captar o sentido direto de uma comunicação ou de um fenômeno, como compreensão de uma ordem escrita ou falada ou a apreensão do que ocorreu com um acidentado atingido por um automóvel etc., 1 – Transferência - consiste em passar uma comunicação de uma linguagem para outra, sem alterá-la, exemplo: resumo de um trabalho, esquema ou desenho de uma fórmula matemática e vice –versa, tradução de uma obra de um idioma para outro ou de uma imagem de consciência em linguagem etc. 2 – Interpretação - este conhecimento consiste em captar a mensagem pela apreensão do sentido das partes de um todo; é o caso de uma interpretação de uma caricatura, de um brasão ou de um gráfico. 3 – Extrapolação - consiste em tirar conclusões ou fazer previsões a respeito de um fato ou conjunto de fatos.
3) – Aplicação – o conhecimento da aplicação é aquele que se refere ao relacionamento de princípios e generalizações a casos particulares ou práticos.
4) – Análise - refere-se à difusão de um todo em suas partes e apreensão do significado das mesmas em relação ao conjunto a) – análise de elementos - identificação de elementos componentes implica ou explicitamente contidos em um todo. É o caso de distinguir conclusões de premissas, fatos secundários de fatos fundamentais etc. b) – análise de relações - refere-se à captação de relações existentes em um acontecimento, como a distinção de causa e efeito, meio e fim etc. c) – análise de princípios de organização - refere-se a linhas mestras que orientam uma estrutura, como a identificação dos princípios políticos que orientaram a elaboração de uma constituição, os princípios estéticos que orientaram a execução de uma obra de arte ou os princípios que sustentaram uma campanha publicitária etc.
5) – Síntese - refere-se à constatação da união de elementos que formam um todo. A síntese pode ser: produção de uma comunicação, ex. idéias, sentimentos e aspirações por via escrita ou oral; produção de um plano de operações, ex. um gráfico que procure demonstrar uma hipótese, enfim atividade que requer passos e que obedece a prescrições.
6) – Avaliação - este tipo de conhecimento refere-se à atitude crítica diante dos fatos, juízos com relação a evidências internas, análise de uma obra qualquer. Fica claro que o conhecimento relativo à avaliação sempre envolve um processo de julgamento.

OS OBJETIVOS NO CAMPO AFETIVO

Os objetivos no campo afetivo estão vinculados a atitudes internas do sujeito que retratam o interior, como: interesse, valor ou apreciação e sempre revelam uma conduta. Portanto, são demonstrados através de comportamentos. Todavia não se revelam por meio de provas tradicionais ou verificação de aprendizagem. Requer do professor vivência e observação. Diz respeito a hábitos e atitudes. Ex: justiça, fraternidade, igualdade e agressividade etc. São muito usados na primeira fase escolar, em que os objetivos dessa etapa são prioridade em formar hábitos, posturas educativas e atitudes, pois o objetivo antes do ler, contar e escrever passa por um processo de socialização do homem cidadão.
Os objetivos do campo afetivo são ainda demonstrados por meio de recepção, resposta, valorização, organização e caracterização por um valor ou complexo de valores. Exemplo no quadro a seguir, de objetivos no campo afetivo.
OBJETIVOS INSTRUCIONIS
GERAIS E ILUSTRATIVOS
TERMOS COMPORTAMENTAIS ILUSTRATIVOS PARA A FORMULAÇÃO DE RESULTADOS DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS
Ouvir atentamente.
Mostrar estar consciente da importância da aprendizagem.
Aceitar diferenças de raça e cultura.
Assistir atentamente às atividades de aula.
Pergunta, escolhe, descreve, acompanha, dá, mantêm , identifica, localiza, nomeia, aponta, seleciona, fica sentado atento, responde, usa etc.
Fazer o dever de casa determinado.
Obedecer às regras escolares.
Participar de discussões em aula.
Fazer os trabalhos de laboratório.
Ser voluntário para as tarefas especiais.
Mostrar interesse pelo assunto.
Sentir satisfação em ajudar os outros.
Responde, assiste, concorda, conforma-se, discute, cumprimenta, ajuda, rotula, realiza, pratica, apresenta, lê, recita, relata, seleciona, narra, escreve.
Demonstrar fé no processo democrático.
Avaliar boa literatura (arte ou música).
Mostrar interesse pelo bem estar dos outros.
Demonstrar uma atitude solucionadora de problemas.
Demonstrar empenho na melhoria social.
Completa, descreve, diferencia, explica, acompanha, forma, inicia, propõe, convida, participa, justifica, lê, reporta, seleciona, compartilha, estuda, trabalha.
Reconhecer as necessidades de equilíbrio entre a liberdade e responsabilidade numa democracia.
Reconhecer o papel do planejamento sistemático na resolução de problemas.
Aceitar as responsabilidades de seu próprio comportamento.
Compreender e aceitar suas próprias capacidades e limitações.
Formular um plano de vida em harmonia com suas capacidades interesses e crenças.
Se junta, altera, arranja, combina, compara, completa, defende, explica, generaliza, identifica, integra, modifica, ordena, organiza, prepara, relaciona, sintetiza.
Demonstrar determinação.
Demonstrar autoconfiança ao trabalhar independentemente.
Cooperar em atividades de grupo.
Demonstrar dinamismo, pontualidade e autodisciplina.
Usar uma abordagem objetiva na resolução de problemas.
Manter bons hábitos de saúde.
Atua, discrimina. Demonstra, influencia, ouve, modifica, realiza, pratica, propõe, qualifica, questiona, revê, serve. Soluciona, usa, verifica.


OS OBJETIVOS NO CAMPO PSICOMOTOR

Os objetivos referentes ao campo psicomotor estão diretamente articulados com conhecimentos que, para o seu aprendizado, necessitam de capacidades não só intelectuais, mas, sobretudo motoras demonstradas por habilidades manuais ou corporais.
Bloom, não apresentou uma taxionomia para o domínio psicomotor. Enquanto isto não ocorre adota-se para completar a taxionomia de Bloom os trabalhos citados por NERECI (1999) de Guilford, Simpson, Grolund e Kibler. Como exemplo destaca-se a taxionomia de Guilford: impulso ou ímpeto: é o movimento de início, a partir de uma posição estacionária. É o individuo estar pronto, em condições, ou ter alcançado maturidade psicomotora para executar uma habilidade como andar, dançar, escrever etc., rapidez, precisão, flexibilidade, coordenação e controle de força etc.; rapidez: é o processo que se desenvolve após o início de um movimento e que, de certo modo, vai refletir-se na produtividade ou maior agilidade na execução de um ou de um grupo de movimentos como, virar páginas de um livro, correr, fazer mudanças na marcha de um automóvel etc.; precisão: é o desenvolvimento de um movimento, tendendo para o perfeito. Movimentos que visam alcançar objetivamente o alvo em mira, como introduzir linha no fundo de uma agulha, atirar pedras em um alvo, atirar e dá laços etc.; flexibilidade: é a possibilidade de realizar um movimento em diferentes direções, como é o caso da dança, da acrobacia etc.; coordenação: é a possibilidade de realizar atos motores em certa ordem necessária, no espaço e no tempo, como é o caso de escrever, dirigir carro, nadar etc.; controle de força: é a possibilidade de imprimir energia certa para específicas situações e que requerem diversa intensidade de energia, como é o caso de segurar a corrente de um cão e segurar um pássaro, bem como escrever com lápis ou esferográfica, bater as teclas de um computador etc.
Os objetivos psicomotores podem ser expressos pelos seguintes verbos:
Amarrar - desenhar - mexer – atirar - desarrumar – minar – arrumar – desmontar – manipular – armar – emendar – mudar – ajustar – executar – marchar – apagar – embrulhar – marejar – aplainar – esculpir - nadar – construir – expressar – pregar – cortar – enterrar – plantar – calibrar - fazer – pintar – consertar – instalar – pedalar – colocar – limpar – praticar – camuflar – ligar – soldar – confeccionar – lubrificar – rastejar – dobrar – montar – restaurar – demonstrar – manusear – remover – dirigir – moldar, além de outros.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Formular objetivos parece ser simples, mas não o é. Requer uma série de critérios para que eles sejam verdadeiros orientadores da aprendizagem e do conhecimento que o docente pensa construir com seus alunos. É evidente que os objetivos educacionais que expressam a política oficial de um país estão intimamente conectados com os objetivos de ensino, porque é através deles que os objetivos oficiais se concretizam.
Constata-se, que o professor que formula seus objetivos para o ato de ensinar, encontra-se melhor preparado e, naturalmente, poderá facilmente detectar as dificuldades que no decorrer do desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem possam aparecer. Permitirá, também, melhor acompanhamento da avaliação de seus alunos, pois o docente, tendo claros os objetivos do ensino que ministra, está cônscio de onde quer e deseja que seus alunos cheguem, e que comportamentos devem demonstrar que aprenderam os conteúdos e as habilidades que lhes foram ensinadas. Por esta razão, os objetivos, tanto para o professor, como para o aluno, devem estar bem claros e com critérios bem definidos.
Outro aspecto que deve ser levado em consideração é que os objetivos de ensino, seja em qualquer nível que esteja formulado, cognitivo, afetivo e psicomotor, estarão sempre centrados no comportamento dos alunos e não do professor. O comportamento do professor em criar situações e oportunidade de aprendizagem, dizem dos procedimentos metodológicos que irão ser construídos pelo professor para fazer facilitar que o aluno aprenda os conteúdos e habilidades que lhes forem ensinadas. O resultado desses procedimentos são os comportamentos produzidos pelos alunos e esperados pelo docente, sendo assim a resposta aos objetivos de ensino formulados. Portanto, os objetivos de ensino que são concretizados pelo comportamento dos alunos representam os resultados da aprendizagem.

BIBLIOGRAFIA

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